Sarau Cultural “Na Flor da Pele” celebra ancestralidade e protagonismo da EJA no Recife

O evento reuniu 120 estudantes do Travessia e da EJA, em um momento de socialização de trabalhos realizados durante o ano. Fotos: Kleyvson Satos/PCR

A Educação de Jovens e Adultos (EJA) da Rede Municipal do Recife promoveu, na noite desta quinta-feira (18), o Sarau Cultural Na Flor da Pele, no Auditório Luiz Gonzaga, da Escola de Formação de Professores Professor Paulo Freire (EFER).  O evento reuniu estudantes do Travessia e da EJA em um momento de socialização de produções artísticas, culturais e pedagógicas desenvolvidas ao longo do ano letivo.

Com o tema “Vozes Ancestrais e Conexões com a Terra: sabedoria no tempo e no espaço”, a edição 2025 do sarau reafirmou a escola pública como espaço de memória, identidade, pertencimento e resistência. Por meio de poesias, danças, músicas, os educandos evidenciaram saberes ancestrais afro-brasileiros e indígenas, reconhecendo a terra como herança coletiva e bem comum.

“Estamos reunindo cerca de 120 estudantes para apresentar produções desenvolvidas ao longo do ano. Em sua quarta edição, a iniciativa utiliza teatro, música e oficinas para valorizar a cultura africana e promover reflexões sobre identidade e desigualdade racial. Mesmo com desafios, o projeto aposta no trabalho contínuo como forma de transformar percepções e fortalecer o respeito à diversidade”, disse Bruno Oliveira, chefe de Divisão de Educação de Jovens e Adultos.

A abertura do evento contou com a fala da secretária executiva de Gestão Pedagógica, Ana Selva, que destacou o papel da EJA na construção de uma educação humanizada e comprometida com a justiça social. “É importante mostrar que a Educação do Recife atua em todas as etapas e modalidades. Este momento com a Educação de Jovens e Adultos representa a culminância de um trabalho desenvolvido ao longo de todo o ano, reunindo ações pedagógicas voltadas à consciência negra, ao enfrentamento do preconceito racial e à valorização dos povos originários. Aqui, estudantes da EJA socializam produções que refletem esse percurso formativo e representam o aprendizado construído coletivamente durante o ano”, afirmou.

Aucimery Rodrigues, estudante da Escola Antônio Heráclito do Rêgo, destacou o sarau como um momento importante de aprendizado e participação. Há quase quatro anos na escola, ela contou como a EJA transformou sua vida. “Eu sabia ler muito pouco e não escrevia direito. Hoje, já sei ler bem e escrever. Participar do sarau é uma maravilha, eu fico muito feliz em poder mostrar tudo que aprendi”, concluiu a estudante.

O sarau é resultado de um processo pedagógico desenvolvido nas unidades escolares, fundamentado nos princípios da Política de Ensino da Rede Municipal, que compreende a escola como ambiente acolhedor da diversidade cultural. Ao longo do ano, professores trabalharam a temática da Consciência Negra de forma interdisciplinar, envolvendo literatura, dança, artes visuais, música, teatro e audiovisual, com produções que dialogam com o enfrentamento ao racismo, ao capacitismo e às desigualdades sociais.

Durante a programação, estudantes de diversas escolas municipais apresentaram trabalhos que evidenciaram a força da cultura popular e ancestral, como recital de poesias, exibição de audiovisual, poema dançado, ciranda e oficina de corpo sonoro, em parceria com o Museu do Homem do Nordeste.

O Sarau Na Flor da Pele se consolidou como um espaço de encontro de vozes que rompem silêncios históricos e constroem narrativas próprias, reafirmando o papel da EJA e da escola pública na promoção de uma educação antirracista, democrática e socialmente referenciada.

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