Evento reuniu especialistas e profissionais da educação e resultou na construção de uma Carta Aberta para toda a comunidade escolar. Fotos: Kleyvson Santos/PCR
A Secretaria de Educação do Recife, por meio do Grupo de Trabalho de Educação em Sexualidade (GTES), realizou, nesta terça-feira (2) o XIV Seminário de Diversidade Sexual da Rede Municipal, um espaço dedicado ao diálogo, à escuta e à formação de educadores. O encontro aconteceu na Escola de Formação de Educadores do Recife Professor Paulo Freire, no bairro da Madalena.
Com o tema “Ecologia dos corpos e dos afetos: Educando para a Sustentabilidade da Vida”, o seminário reuniu pesquisadores, professores e convidados especiais em painéis de discussão e rodas de diálogo. O objetivo do encontro foi ampliar a compreensão sobre diversidade sexual e de gênero, oferecendo subsídios para que a escola avance na construção de práticas pedagógicas acolhedoras e comprometidas com o respeito às diferenças.
“Não há educação de qualidade sem garantir equilíbrio e oportunidades iguais para meninas e meninos. Ao analisarmos nossos dados e pensar no currículo, reforçamos aos professores que os debates essenciais já estão assegurados na política de ensino da rede, o que nos dá respaldo para enfrentar os desafios do contexto atual”, enfatizou Henrique Nelson, gerente da EFER.
Durante o seminário foi realizado o painel “De que adianta cuidar do verde se o arco-íris não é respeitado? – Convergências entre a Pauta Ambiental e as Questões de Gênero na Escola”, com participação da professora Dayanna Louise Leandro dos Santos, do professor, escritor e palestrante, Alexandre Júnior, da professora Simone Carvalho, gestora da Creche Nossa Casa do Chafariz e a coordenadora pedagógica Lívia Melo.
O professor Francisco Júnior, da Escola Municipal dos Torrões, destacou a importância de discutir temas estruturais dentro do espaço escolar. “Nossas escolas estão cravadas em territórios, às vezes, difíceis. Por isso, trabalhar a partir de uma educação interseccional, que contemple raça, classe e gênero, é essencial, até porque não são temas recorrentes, e toda oportunidade de debate é valiosa”, enfatiza.
A tarde foi realizada uma roda de diálogo, que discutiu o tema: “Clima Pedagógico e as Questões Interseccionais no Cotidiano Escolar”, que buscou aproximar vivências, pesquisas e práticas educativas.
Segundo o coordenador do GTES, Francisco Alexandrino, o encontro nasce da necessidade de aproximar teoria e prática na rotina das unidades educacionais. “Precisamos olhar para além da pauta ambiental e entender que o clima escolar também envolve relações, afetos e enfrentamento a preconceitos. Este seminário reforça nosso compromisso com uma educação verdadeiramente inclusiva, municiando professores para acolher a diversidade e garantir que nenhuma criança seja empurrada à margem”, disse.
Também participando do seminário, o vice-gestor da Escola Municipal João XXIII, André Silva, destacou a importância da cartilha que desenvolveu como parte das ações pedagógicas voltadas ao debate sobre diversidade sexual na rede. “A cartilha reúne sequências didáticas, propostas de atividades e orientações para que os professores possam trabalhar o tema de forma segura e intencional, seja em sala de aula, nas rodas de conversa ou em outros momentos dedicados aos temas transversais. É um instrumento que construí justamente para ajudar a enfrentar assuntos que ainda geram receio no cotidiano escolar”, explicou.
Durante a programação, foi construída uma Carta Aberta destinada à comunidade escolar da Rede Municipal. O documento reuniu reflexões e compromissos firmados durante o evento, com orientações que visam aprimorar as políticas educacionais relacionadas aos direitos humanos, ao enfrentamento das violências e à valorização da pluralidade.








