EDUCAÇÃO QUE FLORESCE NO CUIDADO: nova sede da EMTI Hospitalar Semear é inaugurada no Hospital da Criança do Recife

Com a entrega, o Recife amplia o atendimento para cinco classes hospitalares e garante continuidade escolar de crianças em tratamento. Fotos: Kleyvson Santos/PCR

Para muitas crianças, adoecer significa muito mais do que enfrentar uma doença. Significa afastar-se da escola, dos colegas, da rotina e, em casos mais graves, perder meses ou anos do percurso escolar. É para romper esse ciclo que existe a Escola Municipal em Tempo Integral (EMTI) Hospitalar Semear existe, um serviço que leva a sala de aula até onde o aluno precisa estar, atendendo estudantes da educação infantil aos anos finais do ensino fundamental em classes multisseriadas adaptadas à realidade hospitalar.

Inaugurada em abril deste ano, a EMTI simboliza o amadurecimento de uma política pública que, ao longo de onze anos, transformou hospitais em espaços de aprendizagem. Na nova sede, crianças e jovens internados têm acesso a atividades pedagógicas adaptadas ao seu estado de saúde, sem rigidez de horários e sem exigências que desconsiderem o momento clínico de cada um. O ensino se molda à realidade de quem aprende e não o contrário.

“A escola hospitalar no Recife já tem uma trajetória de mais de 11 anos garantindo um direito fundamental, que é a continuidade da escolarização de crianças em situação de adoecimento. Aqui, os estudantes podem ter aula tanto na sala quanto no leito, com atividades adaptadas que respeitam a singularidade de cada um. Já acompanhamos histórias de crianças que foram alfabetizadas durante o tratamento e retornaram às suas escolas de origem, o que mostra a importância desse trabalho. Nosso desejo é que esse projeto siga transformando vidas por meio da educação”, pontua Priscila Angelina, gestora da unidade.

Para marcar a abertura do novo espaço, a EMTI Hospitalar Semear preparou uma exposição com fotos e desenhos produzidos pelos próprios estudantes das diferentes classes hospitalares. Nas obras, eles expressam o que é a escola hospitalar para eles e o significado de continuar estudando mesmo durante o tratamento de saúde, um testemunho vivo da importância dessa política para quem mais precisa dela.

EXPANSÃO QUE AMPLIA ALCANCE – A política de escolarização hospitalar do Recife tem raízes que remontam a 2014, quando foi implantada a primeira Classe Hospitalar Semear, no Hospital Universitário Oswaldo Cruz (HUOC), em parceria com o Grupo de Ajuda à Criança Carente com Câncer de Pernambuco (GAC-PE), voltada ao atendimento de estudantes em tratamento oncológico. A iniciativa foi institucionalizada pelo Decreto nº 28.622/2015 e, em 2022, ganhou um novo patamar com a criação formal da EMTI Hospitalar Semear, estruturando a escolarização hospitalar como política permanente da rede municipal. A escola atende estudantes da educação infantil aos anos finais do ensino fundamental, em classes multisseriadas adaptadas à realidade hospitalar.

“Estou na escola hospitalar desde 2014, quando iniciamos a primeira classe, e poder acompanhar esse momento de ampliação é uma alegria imensa. É um trabalho que garante a continuidade da escolarização, especialmente para crianças em tratamento de doenças crônicas, trazendo perspectiva de futuro mesmo em um contexto tão delicado. Aqui, asseguramos o direito à educação dentro do ambiente de saúde, para que essas crianças não tenham seu processo de aprendizagem interrompido e possam continuar sendo crianças. A educação precisa chegar onde o estudante está”, destaca a professora Cristiane Pedrosa.

Em 2023, surgiu a Classe Hospitalar Girassol, no Hospital Barão de Lucena, atendendo estudantes internados nas enfermarias da pediatria. No ano seguinte, em fevereiro de 2024, foi a vez do IMIP receber a Classe Hospitalar da Figueira, inicialmente focada em oncologia e, a partir de agosto de 2025, ampliada para abranger também estudantes em tratamento nefrológico. No mesmo ano, em agosto, o Hospital do Câncer de Pernambuco passou a contar com a Classe Hospitalar Flor de Lótus. 

Os números traduzem o impacto crescente da política. Entre 2015 e 2025, a EMTI Hospitalar Semear acompanhou cerca de 1.400 estudantes em suas diferentes classes hospitalares. O salto mais expressivo ocorreu a partir de 2023, quando a expansão das unidades elevou o atendimento anual de 33 para 314 estudantes e chegou a 508 em 2025. Só a Classe Girassol, no Hospital Barão de Lucena, acumula 622 atendimentos desde sua criação.

Um dos pilares que tornam o modelo robusto é a articulação permanente com as escolas de origem dos estudantes. A equipe da EMTI Hospitalar Semear mantém um trabalho colaborativo contínuo e a cada bimestre, após a avaliação dos conteúdos trabalhados, o parecer pedagógico e as notas são enviadas diretamente à escola de origem. Com isso, o percurso escolar é mantido de forma integrada sem lacunas e sem que o estudante precise recomeçar do zero ao retornar às aulas presenciais.

Para o pai do pequeno Luiz Henrique, essa oportunidade é fundamental. “É muito importante ter aula aqui no hospital, porque a criança não perde o estudo e não fica só no leito. Meu filho já participou, pintou, brincou e gostou muito. Faz toda a diferença”, comentou José Luiz. 

A existência de uma escola hospitalar não é uma gentileza, é uma obrigação do Estado, assegurada pela Constituição Federal e pela Lei de Diretrizes e Bases da Educação Nacional (LDB). Onze anos depois da primeira classe hospitalar, a EMTI Hospitalar Semear reafirma seu compromisso com a garantia da escolarização de estudantes em situação de adoecimento, consolidando-se como uma experiência educativa pautada na inclusão, no cuidado e na continuidade dos processos formativos.

Rolar para cima